Embaixada Britânica/Relatório STERN - 06/11/2008

Economista Nicholas Stern diz que o Brasil pode liderar debate sobre redução nas emissões de carbono

Em tempos de crise econômica global, o economista britânico, autor do mundialmente conhecido Relatório Stern, Nicholas Stern, avalia que este momento é uma oportunidade para que os governos e o setor privado invistam no desenvolvimento de uma economia de baixo carbono. "Não é uma crise competindo com a outra, como uma corrida de cavalos. Agora não é a hora de cruzar os braços para as questões ambientais. Se adiarmos uma decisão agora, as conseqüências serão maiores e mais graves", afirmou. Stern participou do Seminário Elementos-chave para uma economia de baixo carbono, promovido do pela CPFL Energia, na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), no dia 4.
Durante o evento, o economista também destacou que para superar a crise, os países devem romper com a antiga idéia de protencionismo e de barreiras econômicas. "Isto é um analfabetismo econômico, uma idéia antiquada. Isto foi um erro do passado que não podemos repetir. Ao contrário, temos que agir com força para expandir a economia de baixo carbono", avalia.
Na questão do protencionismo, Stern citou o etanol brasileiro. "O etanol a partir da cana é uma boa alternativa e sofre com as barreiras exteriores. O Brasil saiu na frente e é exemplo de viabilidade de novos combustíveis." Para ele, agora é necessário explorar os biocombustíveis de 2a e 3a geração.
Stern aponta também os países em desenvolvimento como líderes na discussão ambiental. "Nos próximos anos a liderança do mundo estará nas mãos dos países hoje em desenvolvimento, como o Brasil, a Índia e a África do Sul. Eles devem assumir um papel ativo", comenta. Mas ele ainda destaca que as nações já desenvolvidas também têm seus deveres. "Eles devem ajudar a financiar este custo e também reduzir ainda mais suas emissões."
Ele acredita que para amenizar os efeitos das mudanças climáticas é necessário um comprometimento global para a redução de emissões de gases de efeito estufa até 2050. A meta apresentada pelo economista é reduzir a emissão de 50% nos países em desenvolvimento e 80% nos países desenvolvidos.
Para combater as mudanças climáticas será necessário o investimento de cerca de 2% do PIB mundial. "É melhor agir agora, pois se não reduzirmos nossas emissões, teremos uma perda bem mais significativa, cerca de 20% de nosso PIB por ano".
O setor privado terá papel decisivo na redução de emissão de carbono e será um dos principais atingidos. "O setor industrial precisa promover mudanças radicias em todos os segmentos. Será fundamental a parceria do empresariado com o governo para que sejam implmentadas políticas corretas." Segundo ele, também cabe ao empresariado buscar novas tecnologias e estar atentos à reputação de suas empresas, cada vez mais importantes no mercado. Hoje, muitas corporações, inclusive os bancos, já exigem de seus fornecedores boas condutas no que se refere à questão ambiental. "A inicitiva privada faz investimentos e atua diretamente para reduzir suas emissões, mas existe muito lobby e o ruim pode prejudicar o bom. É preciso estar atento a isso", ressaltou.
O presidente da CPFL, Wilson Ferreira Junior, reafirmou este compromisso do setor privado. "Concentramos esforços para reunir, sistematizar e disseminar decisões ambientais. Temos de uma vez por todas controlar e reduzir as emissões de carbono no nosso processo produtivo", afirmou durante a abertura do evento.
Na questão de emissão de carbono no Brasil, Stern é claro: "é necessário um ataque ao desmatamento. Recentemente o país lançou um plano nacional de mudanças climáticas, no qual se compromete em reduzir o desmatamento até 2015. Se o país conseguir cumpri-la, vai dar um importante passo." O desmatamento é responsável 75% das emissões de carbono no Brasil.
Para Stern, em 2009, o mundo terá uma grande oportunidade para mudar seus rumos, durante a Conferência das Partes da Convenção do Clima. "Podemos alcançar um acordo global real. Acredito que os governos estão levando o tema mais a sério e estou mais otimista."


Relatório Stern
O Relatório Stern ganhou notoriedade por ser o primeiro a traçar um perfil e fazer sugestões para lidar com o problema da economia do clima, descrevendo as mudanças climáticas como uma externalidade econômica que deve propiciar ao mercado o desenvolvimento de tecnologias de baixa emissão de carbono. O Relatório conclui que enfrentar essa questão e procurar mitigar os efeitos das alterações do clima é a melhor escolha financeira a ser feita.